Onde assistirO Babadook no Brasil?
The Babadook
Amelia, viúva e ainda atormentada pela violenta morte do marido, tenta lidar com o medo de monstros que aterroriza seu único filho, o pequeno rebelde Samuel, e enfrenta dificuldades em amar o garoto. Após encontrar um misterioso livro, o menino, certo de que há um monstro que deseja matá-lo, começa a agir irracionalmente para o desespero de sua mãe. Mas logo Amelia percebe que realmente há uma sinistra presença na casa e ao redor deles.
Por que assistir
Porque não é sobre um monstro. É sobre uma mãe que não consegue amar o próprio filho, e que perdeu o marido no acidente de carro a caminho da maternidade — ou seja, no dia em que o menino nasceu.
Amelia trabalha, dorme mal, aguenta um filho de seis anos difícil e carrega sete anos de luto que ninguém deixou ela fazer. Quando um livro infantil aparece na prateleira falando de uma criatura que não vai embora depois que você a reconhece, o filme já construiu tudo que precisava.
São 93 minutos, nota 6,5 no TMDB com 6,5 mil votos. Estreia de Jennifer Kent na direção, produzida na Austrália com orçamento pequeno, e uma das coisas mais elogiadas do terror dos anos 2010.
O que o monstro representa não é sutil
O filme não esconde a metáfora e é melhor por isso.
O Babadook é o luto não processado, a exaustão da maternidade solo e — a parte que fez o filme ser discutido por anos — a raiva que Amelia sente do próprio filho. Há uma cena em que ela diz a ele, em voz alta, coisas que uma mãe não deveria dizer, e o filme não a perdoa nem a condena. Deixa ali.
O que torna a coisa mais interessante que uma alegoria comum é o desfecho, que não vou entregar em detalhe. Mas a lógica dele é a seguinte: não se mata o Babadook. Aprende-se a conviver com ele, alimentá-lo e mantê-lo no porão.
Como imagem do que é viver com luto e com depressão, é das mais precisas que o cinema de gênero já produziu. E é o oposto do que filme de terror costuma prometer, que é a destruição da ameaça.
Para quem é — e para quem não é
É para você se você gosta de terror psicológico, atmosférico e de baixo orçamento, onde o desconforto vem de relação humana e não de susto.
Não é para você se você quer susto e ritmo. O filme é lento, tem pouquíssimos sobressaltos e a criatura aparece muito pouco em cena — o que é a força dele e a frustração de quem esperava outra coisa. A nota 6,5 reflete exatamente essa divisão entre crítica entusiasmada e parte do público decepcionada.
E há um aviso sério: este é um filme difícil para quem passou por luto recente, depressão pós-parto ou exaustão parental. Ele é preciso demais nessas coisas. Muita gente que é mãe relata que é o filme de terror mais assustador que já viu, e não pelos motivos habituais.
Há também violência contra um animal doméstico em cena, o que costuma ser um limite para muita gente.
O menino é o teste do espectador
Samuel, o filho de seis anos, grita, faz birra, constrói armas caseiras, se pendura na mãe e não para de falar. Boa parte da primeira metade do filme é ele sendo insuportável.
Isso não é falha de roteiro nem atuação ruim — Noah Wiseman está excelente. É desenho deliberado: o filme quer que você sinta o que Amelia sente. Quer que você fique irritado com a criança, que queira que ela cale a boca, e que depois se sinta mal por ter querido isso.
Jennifer Kent protegeu o ator na filmagem: as cenas em que Amelia grita com Samuel foram gravadas com uma dublê adulta no lugar dele em vários momentos, e ele não ouviu as falas mais agressivas.
Se você chegar aos quarenta minutos com raiva do menino, o filme está funcionando exatamente como planejado. Aguente — é aí que ele vira.
Quanto tempo você tem
Noventa e três minutos, sem cena pós-créditos. É dos terrores mais curtos e mais bem editados que existem.
Sessão única, de preferência à noite e com a casa quieta. O filme trabalha muito com som — passos, batidas, a voz da criatura — e perde bastante em ambiente barulhento ou em volume baixo.
Não funciona picado: a construção de exaustão é cumulativa e depende de você acompanhar a deterioração da Amelia sem intervalo.
E vale reservar algum tempo depois. Não é filme de terror que se esquece ao apagar a luz — o desconforto é de outra natureza e costuma render conversa.
A ressalva honesta
A metáfora é evidente demais para uma parte do público. Depois que você entende que a criatura é o luto, o filme fica previsível e algumas cenas passam a parecer sublinhado.
Segundo ponto: o terceiro ato é o mais fraco. Quando o filme finalmente escala para o confronto, ele precisa mostrar mais da criatura, e o pouco orçamento aparece. A ameaça funcionava melhor sugerida.
Terceiro: o design do Babadook, com a cartola e os dedos longos, é inspirado no expressionismo alemão e é lindo em ilustração — mas em movimento nunca chega a assustar de verdade.
Quarto, sobre a nota: 6,5 é baixo e reflete uma expectativa frustrada em massa. O filme foi vendido como terror e é drama psicológico com elementos de terror. Quem entra sabendo disso costuma achar excelente; quem entra esperando susto costuma achar chato.
Se você gostou de outro, aqui tem o quê
Quem gostou de terror como metáfora de luto: Hereditário é o parente mais próximo e mais brutal, e Corra! faz o mesmo com racismo.
Quem quer mais terror com mãe no centro: A Mãe, de Darren Aronofsky, e Goodnight Mommy.
Quem quer mais Jennifer Kent: O Rouxinol, o filme seguinte dela, é ainda mais duro e não é terror — é um drama sobre violência colonial na Austrália, e é excelente e insuportável.
E quem quer terror australiano de baixo orçamento: Talk to Me é o descendente direto e teve o mesmo percurso de festival.
Vale lembrar que Lamb, também nesta lista e também no MUBI, ocupa território parecido: horror de festival, ritmo lento, metáfora de perda.
O que aconteceu com o filme depois
Uma nota sobre a vida do filme fora dele, porque é curiosa.
Em 2017, um erro de catalogação colocou O Babadook na categoria de filmes LGBT de um grande serviço de streaming. A internet abraçou o engano e o personagem virou, por alguns meses, um símbolo apropriado por meio de piada — apareceu em paradas, em camisetas e em memes.
Jennifer Kent reagiu com bom humor e disse que achava ótimo que a criatura tivesse encontrado um lar.
O episódio é engraçado e diz algo sobre como a internet ressignifica personagens de terror. Mas também acabou obscurecendo um pouco o filme: uma geração conheceu o Babadook como piada antes de saber que ele vinha de um dos dramas mais tristes já disfarçados de filme de monstro.
Se você chegou pelo meme, vale saber que o filme não tem nada de leve.
Onde assistir sem pagar duas vezes
No Brasil o filme está incluído no MUBI, e também no canal MUBI dentro da Amazon. Também aparece nas lojas digitais para aluguel e compra.
São o mesmo catálogo por caminhos diferentes — assine pela loja que você já usa. Se tem Prime, o canal MUBI é acréscimo à conta existente.
O MUBI é um serviço de curadoria voltado a cinema autoral e de festival, com catálogo pequeno e rotativo. Isso significa duas coisas: o filme pode sair de lá com o tempo, e um mês de assinatura costuma render bem mais que um título só, porque o resto do catálogo é do mesmo perfil.
Nota prática: Lamb, também desta lista, está no mesmo serviço. Dá para resolver os dois com uma assinatura só.
Curadoria da redação do O que assistir? — texto próprio, não gerado a partir de sinopse. Ficha e disponibilidade via TMDB.
Também está em: Filmes de terror que assustam de verdade (sem depender de jumpscares).
Onde assistir
Trailer
Trailer dublado ou legendado em português
Esse você já achou.
Da próxima vez, responda 2 perguntas e o app indica — só no que você já assina. Grátis, sem cadastro.
Elenco principal
Essie DavisAmelia Vanek
Noah WisemanSamuel Vanek
Hayley McElhinneyClaire
Daniel HenshallRobbie
Barbara WestGracie Roach
Ben WinspearOskar Vanek
Craig BehennaWarren
Terence CrawfordDoctor
Tiffany Lyndall-KnightSupermarket MumPerguntas frequentes sobre O Babadook
Onde assistir O Babadook no Brasil?
O Babadook está disponível para assistir em: Mubi. Os links acima levam direto para a busca na plataforma.
De que ano é O Babadook?
O filme O Babadook é de 2014.
O Babadook é bom? Qual a nota?
O Babadook tem nota 6.5/10 segundo os usuários da TMDB — uma boa referência para decidir se vale a pena assistir.
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